Uma das maiores vantagens da Internet e dos negócios on-line é a ausência de barreiras físicas e geográficas do negócio. Ao contrário de uma loja física que apenas consegue servir clientes que se encontram geograficamente perto da mesma, as lojas on-line conseguem faze-lo em qualquer parte do mundo. Quer estejamos a começar um negócio on-line de raiz, quer estejamos a adaptar o negócio físico ao on-line, a Internet permite-nos com o mesmo esforço, ou seja, sem termos de abrir uma loja para cada região ou país, aumentar a nossa audiência e o nosso público-alvo, proporcionalmente ao mercado que escolhemos servir.

Esta vantagem é ainda mais relevante para negócios de nicho ou micro-nicho, ou seja, negócios deste tipo normalmente têm uma audiência muito mais reduzida mas altamente engajada.

A possibilidade de aumentarmos uma audiência que é por natureza muito pequena é a principal vantagem que a Internet facilita, e muitas vezes, negócios que têm apenas uns milhares de clientes passam a conseguir angariar centenas de milhares com a ajuda da Internet.

A isto chamamos de estratégia de Cauda Longa (Long Tail em inglês). Este conceito foi popularizado por Chris Anderson em 2004 num artigo da revista Wired, no qual ele mencionou a Amazon, a Apple e o Netflix como exemplos de empresas que aplicam esta estratégia.

No entanto, é preciso ter alguns aspectos em conta antes de nos aventurarmos por esse Mundo fora, de forma a garantir que a nossa aposta na Internacionalização é um sucesso. As tácticas que vou falar a seguir foram testadas e comprovadas por centenas de empresas e por mim próprio ao longo de 18 anos de trabalho no E-Commerce e Marketing Digital.

 

1. Site Multilingue

A primeira coisa a pensarmos quando internacionalizamos o nosso site é a língua. Um cliente que não fale a nossa língua dificilmente irá conseguir comprar na nossa loja e muito provavelmente nem sequer a vai descobrir. A tradução do nosso site é importante não só para o cliente conseguir navegar e interpretar toda a informação disponível no nosso site, mas também para encontrar os produtos nas pesquisas que faz por exemplo no Google. Ou seja, a tradução do site na língua dos países alvo é um obrigatoriedade para melhorar o nosso posicionamento nos motores de busca(SEO).

 

2. Escolha do dominio

É preciso algum cuidado na escolha do nosso domínio. Devemos fazer uma pesquisa sobre se o nome do nosso site ou marca tem algum significado depreciativo no país ou países onde estamos a apostar. Se isso acontecer, temos de pensar numa alternativa e encontrar um nome que represente bem a nossa marca.

Outra questão relevante tem a ver com o Domínio de topo(Top Level Domain), ou seja no caso de um site português este domínio poderia ser um .pt. Se por exemplo queremos vender para França, poderá ser uma boa ideia adoptar um domínio .fr, pois iremos aumentar as nossas chances de sucesso, uma vez que a percepção dos utilizadores e dos próprios motores de busca sairá beneficiada pelo menos naquela língua. Se não queremos registar um domínio em cada país para onde vendemos, recomendo usar um domínio .com e instalar as diferentes lojas em sub-directorios, ficando por exemplo com este aspecto, www.aminhaloja.com/pt ou então www.aminhaloja.com/fr.

 

3. Moeda Local

Para aumentarmos o nosso sucesso online e as nossas taxas de conversão, temos de eliminar todos os factores desmotivadores. Se apresentamos os preços dos produtos numa moeda que não é a que o cliente está habituado, vamos obrigá-lo a pegar na calculadora e fazer contas. Nós queremos evitar a todo o custo que o cliente saia do nosso site e queremos que ele chegue o mais rápido possível ao processo de pagamento. Se temos tecnologia para o fazer de forma fácil e gratuita não faz sentido criarmos este entrave no nosso cliente. É essencial disponibilizar a nossa loja na moeda local do nosso cliente para aumentar as conversões.

 

4. Métodos de pagamento preferenciais

Na Europa existem dezenas de países todos eles com culturas muito variadas e diferentes. Os hábitos e preferencias dos clientes variam muito de país para país e um dos temas onde as diferenças são mais notórias são as formas preferidas de pagamento. Por exemplo, em Portugal o Multibanco é o método de pagamento favorito dos consumidores online, já na Alemanha o método de pagamento preferido é o Invoice, parecido com o que nós chamamos Contra-reembolso. Não nos podemos esquecer de fazer este estudo e de adaptar a nossa loja ao mercado onde estamos a apostar.

 

5. Métodos de Envio preferenciais

Da mesma forma que os métodos de pagamento, também os métodos de envio preferenciais variam de país para país. Existem países onde os utilizadores já não ficam satisfeitos se não tiverem envios rápidos, noutros países os portes gratuitos são quase uma obrigatoriedade, e também a variedade de formas de envio são um factor a ter em conta.

 

6. Medidas e pesos locais

Se tem uma loja de vestuário, têxteis, calçado ou outra, muito provavelmente vai necessitar de disponibilizar esta informação. Como sabem existem métricas Europeias, Americanas, Asiáticas entre outras, e se queremos por exemplo vender calçado para o Reino Unido ou Estados Unidos da América, além da língua vamos ter que ajustar também as medidas dos produtos que vendemos, ou então corremos o risco de o cliente nunca chegar a comprar por falta desta informação. Outros negócios que também terão de fazer este tipo de adaptação são os negócios cujos produtos sejam mensuráveis em peso, dimensão ou volume. Também nestes casos os sistemas de medidas são diferentes.

 

7. Customer Service na Língua Local

Não faz muito sentido termos o site traduzido na língua do nosso cliente e não lhe podermos prestar um serviço com a mesma qualidade. Seja para prestar suporte pré-venda ou pós-venda é uma mais valia podermos oferecer este serviço. O ideal será o cliente nem perceber que está a comprar noutro país.

 

8. Redes Sociais

Um dos canais de comunicação mais utilizados na nossa estratégia de marketing digital são as redes sociais. Este é um dos desafios maiores na internacionalização do nosso negócio on-line. Para além da questão da língua que comunicamos, precisamos definir quais as redes sociais mais populares em cada país e ajustarmo-nos à realidade de cada um. Apesar do Facebook ser a rede social mais utilizada em todo o Mundo, isso não quer dizer que o seja no mercado que estamos a apostar. Se queremos apostar por exemplo no mercado Russo temos de ter uma presença forte no VK, já no Brasil o Whatsapp e o Instagram dominam.

 

9. Marketplaces Locais

Os Marketplaces são uma ferramenta que nos permite vender on-line mesmo antes de termos um site ou uma loja on-line. A Amazon e o Ebay são dois exemplos de Marketplaces que permitem vendermos o nosso produto. Existem no entanto Marketplaces locais, que podem ser uma excelente oportunidade de negócio. Por exemplo na China o mais conhecido é o Tmall e no Brasil o Mercadolivre. Cada país e segmento tem os seus próprios marketplaces, temos que  encontrar aqueles que vão favorecer a entrada nos nossos mercados de eleição.

 

10. Comparadores de preços locais

Os comparadores de preço são uma excelente forma de colocar o nosso produto à frente dos potenciais compradores. Também os comparadores de preços variam consoante os mercados, por exemplo, em Portugal o Kuantokusta domina claramente, no entanto lá fora a história é completamente diferente. Existem comparadores de preços que são transversais a quase toda a Europa e outros que são muito específicos de cada país. Os Europeus mais conhecidos são por exemplo Ciao, Kelkoo e Nextag.

 

Conclusão

Se queremos ser bem sucedidos na internacionalização dos nossos negócios on-line, temos que nos lembrar que os sites não têm nacionalidades e os que clientes no final do dia querem ter uma experiência de compra agradável. Temos que ser nós a dar os passos necessários para a optimização desse processo. A responsabilidade do crescimento do nosso negócio está do nosso lado, apenas temos que saber ouvir o cliente!

Think Global Act Local!