Durante a década de 90, com a explosão da internet e respectivo acesso, surgiram os primeiros sites, blogs e fóruns.

Passado alguns anos, começaram a surgir as redes sociais, que revolucionou a forma como as pessoas e as empresas comunicam umas com as outras.
Em cerca de 25 anos, o mundo mudou. O marketing e os negócios mudaram. E os gestores e empresários também devem mudar.

A realidade empresarial

Recentemente, como experiência própria, fui confrontando com uma PME, com muitos anos de mercado, em que o seu fundador, juntamente com um gestor, referiram que a empresa em causa tinha um website, mas que nunca receberam qualquer tipo de retorno e que só um tinham um site porque os outros (concorrentes) também tinham.
Perguntei há quanto tempo foi construído o site, ao que me responderam que o site já existia desde 2014. Desde essa data, o site nunca sofreu qualquer tipo de alteração. Nunca existiu um atualização no backoffice, nunca existiu uma alteração nos contactos, nas informações dos produtos e serviços prestados, as noticias deixaram de ser atualizadas em 2014 e organicamente, quase nem se dá pelo site no Google. Na mesma conversa, confirmaram também que apenas pagam a anuidade do alojamento e domínio à empresa que desenvolveu o site.

Continuando com a minha auditoria, referiram que o departamento comercial é o mais próximo que têm de ações de marketing (setor B2B) mas nunca foi explorado o digital (no máximo, o envio de emails, mas sem recurso a ferramentas de email-marketing).
Nunca tiveram alguém ligado ao marketing, seja internamente nem como prestação de serviços e sempre usaram o departamento comercial e os vendedores como “marketeers” da empresa.
No entanto, afirmaram que a empresa “pratica” marketing digital, pois usa algumas ferramentas digitais, como o site e o email.
Em fim de conversa, acusou a agência que desenvolveu o site de não fazer o acompanhamento do serviço, e tal como referido anteriormente, apenas se lembravam de 12 em 12 meses para a renovação do serviço web.
Este exemplo é a realidade de milhares de empresas em todo o território português. É usual encontrar empresas e negócios que ainda não despertaram para a potencialidade do meios digitais e do marketing em prol do negócio, deixando fugir muitas oportunidades no mercado nacional e internacional.
Para se ter uma ideia da importância deste mercado no tecido empresarial, em 2017, um quarto de todo o investimento em marketing foi direcionado para o digital, segundo a Magna Global, com um crescimento de 18%.

Investimento em Marketing das Empresas Portuguesas

Fonte: Magna Global – retirado de https://contentmarketing.pt/budget-marketing-digital/

Este empresário foi induzido a conversar comigo por mera coincidência e através de gerações mais novas, e que por curiosidade, quis conhecer um pouco mais a realidade do marketing digital e perceber quais as mais valias. Em conversa com ele, referi que um site não é marketing digital, mas sim apenas o inicio de uma estratégia, comparando com uma loja física. O site ou uma loja online não produz qualquer tipo de vantagem, se não existir trabalho à posteriori, seja de marketing e/ou de marketing digital.
O mesmo empresário, que revela que conhece o seu negócio como ninguém, que é o primeiro a chegar e o último a sair da empresa, que faz imensas horas extras no seu negócio, revela que de marketing não “percebe nada” e com isso, nunca percebeu nem percebe que o marketing digital não é um custo mas sim um investimento e que dará retorno a médio-longo prazo.
Este é um exemplo de muitos empresários que julgam que ter um site é mais do suficiente.

 

Um site ou loja online nunca será marketing digital

Abrir uma loja física não faz de ninguém um bom empresário. Temos de pensar no stock, na decoração, nos recursos humanos, no ambiente da loja, em como atrair visitantes à loja e como rentabilizar o negócio.
O pensamento para um site é igual. Devemos promover, dar a conhecer a marca e reter os visitantes, para que tomem uma ação.
Este exemplo acima não é caso único. Milhares de empresas, negócios, empresários e gestores pensam da mesma forma que o caso apresentado, e se alguns tem capacidade para compreender e ouvir o mercado, outros, frutos da sua inércia, acreditam que não precisam de mais nada.

Se têm um site, acreditam que não é preciso mais nada. O que é completamente errado.

 

E se não existe um site ou loja online?

Se existem milhares de empresas com o seu site estático, também não faltam empresas e negócios sem qualquer presença web. Alguns empresários e gestores consideram que não é uma mais valia e que será apenas um custo. Muitos deles querem desenvolver um website apenas porque os seus concorrentes também têm ou porque simplesmente, está na moda; e poucos são os que consideram que é um canal de marketing e de comunicação com grande potencial.

Se para os empresários que não consideram a estratégia digital como mais valia, é complicado explicar-les a sua importância para o negócio, para os empresários que apenas querem um website, mais complicado é explicar que ter um website não é garantia de resultados nem é uma estratégia isolada, exige a manutenção frequente e um trabalho de marketing e com isso, aumentar o investimento que tinham inicialmente planeado.

Felizmente, e com o crescimento da informação na web, de formações de marketing digital de vários profissionais que existem no mercado e com o aumento da consciencialização de todo o tecido empresarial, o marketing digital e o e-commerce tem aumentado nas escolhas das empresas, pois não só percebem que é uma mais valia, que origina mais oportunidades de negócio como as ajuda a conhecer o seu público-alvo e a conquistar mais leads e com isso, aumentar a rentabilidade económica e financeira das suas empresas.

Pela minha experiência e pelo feedback que recebo de vários empresários e profissionais de marketing, cada vez mais se procura criar estratégias otimizadas de marketing digital e não apenas desenvolver um site só porque os outros têm. Copiar nunca foi uma boa estratégia e há que fazer algo diferente dos demais concorrentes.

Em relação ao empresário do artigo, da mesma forma que percebeu no passado que apostar na qualificação dos seus funcionários gerou motivação e resultados, apostar na inovação dos processos de trabalho da sua empresa gerava um maior fluxo de produção e controlo das tarefas, também ficou a perceber que a aposta no marketing e na comunicação digital irá apontar a novos e potenciais clientes e parceiros de negócio, seja no mercado nacional como no mercado internacional e que o digital não é algo pontual, mas um trabalho contínuo e de dedicação.